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A Cozinha Verde

A Cozinha Verde, da autoria de Filipa Range, tem como principal missão inspirar os portugueses a adotar hábitos alimentares mais saudáveis, ecológicos e compassivos, através da cozinha vegan.

Seg | 22.04.19

Dia da Terra: O que podemos fazer para ajudar o Planeta?

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Hoje celebra-se o dia da Terra e venho falar-vos de alimentação sustentável. É verdade, as nossas escolhas alimentares não têm apenas um impacto direto na nossa saúde. O ecossistema é também fortemente afetado com a indústria alimentar.

 

Segundo um relatório da FAO (Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas), a indústria pecuária é a que mais contribui para o aquecimento global, sendo responsável por 18% das emissões dos gases causadores de efeito de estufa, percentagem esta superior a todo o setor dos transportes (13,5%). O relatório afirma ainda que a atividade pecuária é uma das principais causas da degradação dos solos e do esgotamento dos recursos hídricos.

Uma alimentação de base vegetal gasta menos recursos naturais comparativamente a uma alimentação à base de produtos de origem animal. Por exemplo, grande parte da produção intensiva, e muitas vezes manipulada, de cereais (como o trigo, a soja e o milho) existe para alimentar o gado da indústria pecuária. A agropecuária industrial contribui também para a perda da biodiversidade, desflorestação, desertificação e contaminação dos solos.

A criação de animais para consumo humano, para além de dispendiosa, é ineficiente e comporta gastos excessivos de recursos.

Para dar um exemplo, para produzir 1 kg de carne de vaca são necessários 7 kg de cereais e 15.000 litros de água. Para a produção de 1 kg de cereais são gastos apenas 1.300 litros de água. A terra e água necessárias para produzir 1 kg de carne são suficientes para 200 kg de tomates ou 160 kg de batatas.

A pesca excessiva está também a levar à extinção de várias espécies marinhas, e prevê-se que, a continuar ao ritmo dos últimos anos, levará à extinção em massa de todas as espécies mais comerciais em 2050.

 

O que podemos fazer para ajudar o Planeta?

Fazer uma alimentação de base vegetal é uma excelente forma de diminuir a nossa pegada ecológica. Mas existem outros fatores a ter em conta e que de seguida menciono:

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1. Comprar local

Comprar produtos nacionais e de produtores locais é mais sustentável do que comprar produtos vindos do estrangeiro. Mesmo que o seu preço de venda seja inferior, não nos podemos esquecer de contemplar o impacto no meio-ambiente do transporte aéreo ou marinho, por exemplo. Para além disso, estamos desta forma a apoiar a economia nacional e os pequenos produtores.

Dica: Fazer compras em mercados de pequenos produtores, confirmar a proveniência dos alimentos e encomendar cabazes de produtos de agricultura local são algumas das medidas que podemos implementar para reduzir o impacto no meio ambiente.

 

2. Alimentos da época

Respeitar a sazonalidade dos alimentos é respeitar o meio ambiente. Apesar de uma grande parte dos alimentos estar disponível todo o ano nas grandes superfícies comerciais, todos os alimentos possuem um período específico de colheita, a sazonalidade. Os alimentos sazonais são produzidos em bases mais sustentáveis pois seguem o seu ciclo de vida natural, o que significa que não necessitam de tanta intervenção externa durante a sua produção. Para além disso, são mais biodisponíveis em termos de nutrientes e geralmente mais económicos.

Dica: Na internet encontram calendários com as frutas e vegetais da época, como este. Desta forma, já sabem quais os alimentos a que devem dar preferência ao longo do ano.

 

3. Agricultura biológica

A agricultura biológica é de forma geral mais sustentável e ecológica, desde que realizada através de processos que não sejam nocivos para o ambiente e sempre que possível com recursos renováveis. Os princípios básicos da agricultura biológica passam pelo respeito pelo ciclo de vida do alimento e pela diminuição do impacto do homem sobre o ambiente e o sistema agrícola.

Dica: Visitar um mercado biológico ou criar uma pequena horta em casa, caso disponham de um local para esse efeito. Em alternativa, informem-se no vosso município da existência de hortas comunitárias (que já começam a aparecer em algumas zonas).

 

Espero que tenham gostado deste post! Se tiverem alguma dúvida ou algo mais a acrescentar, deixem nos comentários abaixo. 

Qui | 18.04.19

Cones da Páscoa Recheados

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Hoje trago-vos a minha sugestão para uma Páscoa deliciosa e saudável. 

Confesso que me custa um bocadinho assistir ao consumismo desenfreado por doces nestas épocas festivas.  Acho exagerado todo o rebuliço em torno dos ovos da páscoa, das amêndoas com chocolate, etc. Os mais novos são facilmente levados por toda esta exposição de açúcar e não têm capacidade para filtrar. Por este motivo, criei esta receita, com o intuito de passar a mensagem de que é possível fazer sobremesas deliciosas recorrendo a ingredientes mais saudáveis e nutritivos. 

Estes cones (ou copos, se preferirem) têm como ingredientes principais os cajus, as tâmaras Medjool, as framboesas e o chocolate. Utilizei um chocolate biológico com 70% de cacau, com manteiga de cacau e adoçado com açúcar de cana. A combinação de sabores é tão maravilhosa e viciante, que assim que terminámos as fotografias despachei logo dois copinhos (ahahah). 

 

Curiosos? Então espreitem a galeria de fotografias que se segue. :) Se ficaram convencidos, a receita está logo abaixo.

 

 

 

Cones da Páscoa Recheados

vegan, sem açúcar, opção sem glúten

faz 8 cones ou 8 copinhos

tempo total: 40 minutos

 

Ingredientes

Creme de caju:

1 chávena (160gr) de cajus sem sal

2 colheres de sopa (30ml) de água

2 colheres de sopa (30ml) de xarope de ácer

Caramelo:

7 tâmaras Medjool (130gr)

uma pitada de sal marinho 

1/4 de colher de chá de baunilha em pó (opcional)

Água q.b.

1/2 chávena (20gr) de framboesas desidratadas

100gr de chocolate em barra (mínimo 70% cacau, sem glúten se necessário)

 

Preparação

Demolhe os cajus durante a noite ou em 30 minutos em água a ferver. Num processador, adicione os cajus demolhados, e água e o xarope de ácer e triture até obter um creme homogéneo (o tempo poderá variar consoante o tipo de processador utilizado, no meu caso foram aproximadamente 10 minutos). Transfira o creme para uma tigela e reserve.

Descaroçe as tâmaras e deixe-as de molho 5 a 10 minutos em água quente. Num processador, adicione as tâmaras, o sal marinho, a baunilha e uma a duas colheres de sopa de água. Triture até obter um creme homogéneo, adicionando aos poucos mais água até obter a consistência desejada. Transfira o caramelo para uma tigela e reserve.

Esmague as framboesas desidratadas com a ajuda de um garfo ou esmagador e reserve.

Parta o chocolate em pequenos pedaços e derreta-o em banho-maria. 

Agora, pode optar por fazer os cones de chocolate ou servir em copinhos. 

Para servir em copinhos, distribua uma porção de creme de caju e uma de caramelo em todos os copos. Finalize com as framboesas e chocolate derretido. Leve ao frigorífico até servir.

Para fazer os cones, comece por fazer um molde com papel vegetal. Para isso, enrole com cuidado um pedaço de folha de papel vegetal até formar o cone e feche com um adesivo na parte superior do molde. Nota 1: Pode optar por fazer apenas um molde ou mais do que um, sendo que neste último caso irá demorar menos tempo a finalizar a receita.

Depois, segure o molde com a base virada para cima e com uma colher espalhe o chocolate quente sobre metade do molde. (ver imagem em baixo). Deixe escorrer bem e leve ao frigorífico para que o chocolate seque. Nota 2: Como não tinha nenhum suporte para cones, improvisámos com um garfo no interior do cone (para dar suporte) e colocámos dentro de um copo baixo.

vvv

Retire o molde do frio (15 a 20 minutos será suficiente para solidificar) e comece a enrolar gentilmente o interior do molde, até que o chocolate solte (fazendo o mesmo movimento que usou para criar o molde). Com cuidado, vire o cone para baixo e puxe devagar até soltar totalmente. Nota 3: Pode utilizar uma luvas para manusear o cone, para que as suas mãos não aquecam tanto o chocolate - este processo tem de ser rápido, pois o chocolate comecerá a derreter com o calor das mãos). Este processo apesar de ser rápido, terá de ser realizado com calma e cuidado redobrado, de forma a não partir o cone.

Volte a levar ao frigorífico os cones antes de os rechear (5 minutos). Com os cones novamente frios, recheie com uma camada de creme de caju e outra de caramelo. Finalize com as framboesas.

Guarde no frigorífico até servir.

 

Espero que gostem desta receita! Se a fizerem, partilhem comigo as vossas fotografias! Se tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários abaixo. 

 

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Qui | 11.04.19

Almôndegas de lentilhas e noz

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Hoje trago-vos mais uma receita fácil e deliciosa. Uma alternativa às almôndegas de carne, feita com lentilhas e nozes. Embora adore esta combinação lentilhas + noz, podem substituir as lentilhas por outra leguminosa da vossa preferência (feijão, grão,...) e as nozes por outro fruto seco moído (caju, amêndoa, avelã...). 

 

A liga destas âlmondegas é feita com as nozes e as sementes de linhaça moídas.  

 

Esta é daquelas receitas práticas para fazer em maior quantidade, pois podem congelar para as vossas refeições da semana. E por falar em #mealprep, no dia 18 de Maio vamos ter a 2ª edição em Lisboa do Workshop "Marmitas para Todos os Dias"! As inscrições já estão abertas e podem consultar o prgrama aqui. :)

 

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Receita - Almôndegas de lentilhas e noz

Faz 15 unidades

Sem glúten

Tempo total: 30 minutos

 

Ingredientes

2 dentes de alho picados

1 cebola pequena picada

2 chávenas de lentilhas castanhas cozidas

1 mão-cheia de salsa fresca picada

Sal marinho q.b.

Pimenta-preta q.b.

¼ de colher de chá de pimenta-de-caiena

2 colheres de sopa de levedura nutricional

1/3 de chávena de nozes moídas

1/3 de chávena de sementes de linhaça moídas

 

Preparação

Num processador, junte todos os ingredientes (à excepção da noz e da linhaça). Triture tudo até formar uma pasta homogénea.

Transfira a mistura para uma tigela grande. Adicione a noz moída e a linhaça. Envolva tudo muito bem com as mãos. A massa deve ficar firme e maleável. Caso seja necessário, acrescente mais linhaça para ajustar a consistência.

Molde pequenas bolas com as mãos.

Transfira as almôndegas para um tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno, previamente aquecido a 180º, durante cerca de 20 minutos (deve virá-las a meio do tempo) ou até se apresentarem ligeiramente douradas.

Dicas:

Sirva as almôndegas com um molho de tomate caseiro, esparguete integral (ou noodles de curgete) e parmesão de noz (receita no livro "A Cozinha Verde")

 

Espero que gostem desta receita! Se a fizerem ou recriarem, partilhem comigo as vossas fotografias! Se tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários abaixo. 

 

*Fotografias por Mário Cerdeira para o livro A Cozinha Verde

Qui | 04.04.19

5 dicas para visitar Zurique (roteiro vegan)

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Nos últimos dias voámos até à Suiça para uma escapadinha de 5 dias. Ficamos hospedados em casa de uns amigos, em Brugg, a cerca de 30 minutos de Zurique e de Lucerne. Fiquei encantada com os locais que visitámos e com vontade de conhecer mais daquele país. Estivemos lá de 28 de Março a 2 de Abril e tivemos a sorte de apanhar um maravilhoso tempo de primavera, com dias quentes e solarangos e temperaturas mínimas suportáveis. A Suiça é lindíssima e tem paisagens naturais e culturais de cortar a respiração. Ali respira-se segurança e tranquilidade. Sinto que não podia ter escolhido melhor sítio para esta pausa!

Neste post, enumerei algumas dicas úteis para visitar Zurique, sendo que a maioria se aplica aos restantes locais onde estivémos.

 

1. Transportes

Como estivemos em Zurique em dois momentos distintos durante a viagem (1 noite para jantar e no último dia), optámos por conhecer a cidade a pé. No entanto, caso pernoitem na cidade, podem optar por comprar o Zurich Card, um passe de 24 ou 72 horas que vos dá acesso gratuito a todos os transportes públicos, entradas e descontos em museus, restaurantes, entre outros serviços. Podem também alugar uma bicicleta, um dos meios de transporte mais famosos por toda a Suiça. 

Em aproximadamente 10 horas, percorremos a pé o centro histórico de Zurique (concentrado nas margens do rio Limmat) e principais pontos de interesse , passeámos junto ao famoso Lago (Zurich Lake) e conhecemos Zurich West, uma zona mais alternativa da cidade e muito ligada às artes. Ficou por ver de perto a Universidade de Zurique, por onde passaram personalidades como Albert Einstein.

 

 

 

2. Zurich West - o lado mais alternativo da cidade

Uma antiga zona industrial completamente fora do padrão suiço, mas onde se concentram projetos mais alternativos, vegan e eco-friendly. Nesta zona, encontram várias lojas em segunda mão, uma horta comunitária no meio de um espaço de bares e discotecas, uma loja de acessórios feitos com produtos reciclados dentro de um contentor com vista panorâmica, entre outros projetos diferentes e sustentáveis.  

 

 

3. Água da fonte 

Encontrámos inúmeras fontes em todas as cidades onde estivemos. Zurique, por exemplo, tem mais de 1000 fontes de água potável espalhadas pela cidade! Andei sempre com a minha garrafa reutilizável e enchia sempre que precisava. Tendo em conta os preços praticados na Suiça, esta acaba por ser uma boa forma de poupança, económica e ambiental! 

 

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4. Hiltl - o restaurante vegetariano mais antigo do Mundo!

Ponto de paragem obrigatório para vegetarianos e vegans! Esta foi das poucas refeições que fizemos fora durante a viagem e recomendo muito. O restaurante é conhecido pelo buffet com mais de 100 pratos (cerca de 70% são vegan), apesar de também ter serviço à carta. O buffet à descrição custa 60CHF (francos suiços) e inclui pratos frios e quentes, sobremesas e pães variados. Se não quiserem perder a cabeça com as bebidas, no interior do restaurante está disponível uma torneira de água potável com copos biodegradáveis, para uso dos clientes.Têm também serviço de take away em embalagens ecológicas. O restaurante tem 2 pisos (ficámos no superior) e a partir das 23h funciona como bar/discoteca. Se a vossa conta for igual ou superior a 50CHF, têm acesso gratuito ao bar depois do jantar.

 

 

5. Chocolate suiço vegan

Sendo a Suiça tão conhecida pelo chocolate de leite, tinha como objetivo descobrir durante a viagem a oferta destes chocolates numa versão cruelty-free. Não foi tarefa fácil. Não queria o chocolate negro (mais fácil de encontrar sem leite), mas sim um chocolate de leite vegan. Acabei por encontrá-lo no Migros, uma cadeia de supermercados suiça. São biológicos, fabricados na Suiça, em conta e deliciosos! 

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Notas:

Durante a nossa viagem, para além de Zurique, visitámos Lucerne, Bruug e Baden. 

Na última galeria deixo-vos algumas imagens destes últimos 3 locais. 

 

Se tiverem dúvidas ou outras dicas a acrescentar, partilhem comigo nos comentários abaixo. :)